Alto custo inviabiliza implantação de sala de vacinas nas farmácias de Brusque

Para profissionais, a demanda do município não compensaria o investimento em sala específica

vacinação
Lei que estabelece as normas para aplicação das vacinas foi regulamentada pelo governo do estado em janeiro deste ano -
Crédito: Divulgação

Em janeiro deste ano, o governo de Santa Catarina regulamentou a lei que estabelece normas para a aplicação de vacinas em farmácias do estado. Quase um ano depois e mesmo após comemorarem a oportunidade, as farmácias de Brusque não devem implantar a sala de vacinação.

O motivo, explicam os profissionais que atuam na área, é o alto custo do investimento. Segundo eles, dispor de uma sala especial com todos os aparatos no próprio estabelecimento e mantê-la em funcionamento não compensa já que a demanda maior de vacinação ocorre apenas em uma época do ano.

“Sai muito caro montar um lugar específico, porque as pessoas procuram vacinas apenas no inverno por causa da gripe. Daí não vale a pena. Teria que ter uma aplicação durante todo o ano”, argumenta a proprietária da drogaria Farma Nova, Joanita Rosita Lopes.
As normas da Vigilância Sanitária exigem que a sala de vacina tenha itens como banheiro para cadeirante e ar condicionado.
“Nós questionamos a Vigilância Sanitária sobre as normas e eles nos trouxeram. Para nós não vale a pena, e acho que pra nenhuma farmácia vale”, afirma a proprietária.

Seguindo a mesma opinião de Joanita, o gerente da farmácia São Luiz, Sidney Bonfim, também afirma que as normas elevam o custo e inviabilizam a implantação.

“É difícil as farmácias se regularizarem. A maioria não faz porque são muitas normas e às vezes não vale a pena, porque vacina não tem rentabilidade. A maioria geralmente é aplicada no inverno”, afirma Bonfim.

Para o proprietário da Dorita, Renato dos Passos, o principal empecilho seria construir uma nova sala.

“Não queremos ter vacinação aqui porque seria muito ruim fazer uma sala nova. É muito investimento. Não compensa mesmo”, diz.

Cogitou

No último período de vacinação contra a gripe, a farmácia Lindóia cogitou a implantação da sala. Porém, devido à burocracia, desistiu.
“A burocracia é gigantesca, acaba desanimando quem se interessa”, afirma o farmacêutico do local, Bruno José Willrich Sani. “Teria que ver a demanda de um serviço desses, ainda mais com a vacinação sendo feita nos postos de saúde”, completa.

Sem pedidos

Até o momento, a Vigilância Epidemiológica de Brusque não recebeu nenhum pedido de credenciamento de salas de vacina em farmácias. A enfermeira do órgão, Natália Cabral Marchi, diz que o motivo alegado pelos proprietários dos estabelecimentos é, justamente, a inviabilidade financeira.

O investimento para construir uma nova sala de vacinação é alto, e o retorno, pequeno. “Não existe o interesse”, resume a enfermeira. Com isso, locais especializados em aplicações, como a Cidmed, preenchem a lacuna deixada pelas farmácias, afirma Natália.

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