Atletas de Brusque recorrem à Psicologia para melhorar o desempenho

Controlar a pressão, a ansiedade e o nervosismo são os objetivos dos psicólogos da área esportiva

LUCAS ZIMMERMMAN
Lucas Zimmermann, 10 anos, frequenta psicóloga esportiva para auxiliar nas competições -
Crédito: Cristóvão Vieira/Arquivo Município

Acabou o tempo em que o atleta devia se preocupar apenas com o corpo. O fator psicológico também é cada vez mais trabalhado entre os competidores de alto rendimento. Problemas como a pressão de torcida adversária, a cobrança da torcida da casa e até a famosa ‘amarelada’ na hora da prova são discutidos no divã dos profissionais especializados em mexer com a cabeça dos esportistas.

Consultório povoado

Psicóloga de formação há 13 anos, Jamille Secchi não começou sua carreira se envolvendo com o esporte. Como tradicionalmente, atendia pessoas que sofriam com dependência química ou transtornos psicológicos diversos. No entanto, a paixão pela atividade física fazia parte do seu dia a dia, já que ela participou de competições de fisiculturismo.

Jamille buscou a especialização na área esportiva e há quatro anos lida com atletas das mais diferentes modalidades em seu consultório em Balneário Camboriú. O medalhista paralímpico Matheus Reine é um de seus pacientes. Assim que abriu o consultório para as pessoas envolvidas com o esporte, a resposta foi imediata. “Até me surpreendeu a grande procura, porque é uma área ainda em desenvolvimento. Hoje trabalho com muitas pessoas e começamos recentemente a atender também atletas crianças”, explica.

Uma das principais situações adversas e que tem tudo a ver com o fator psicológico é o nervosismo diante das competições importantes. Para conter as emoções dos famosos ‘leões de treino’ – atletas que mandam muito bem durante a preparação, mas na hora da competição não conseguem desempenhar o mesmo – o trabalho de Jamille é acionado. “O emocional é o pano de fundo de tudo, do treinamento, do rendimento e das competições. Se o atleta sabe o que tem que fazer, mas na hora de competir ele tem queda de rendimento, certamente que falta o autocontrole que tentamos trabalhar aqui”, explica Jamille.

Evolução nas pistas

Com 10 anos, Lucas Zimmermann já tem muita responsabilidade sobre os ombros. O garoto de Brusque é o grande nome da categoria Boys 10 anos no bicicross, com talento nato reconhecido nas pistas do Brasil e até no exterior, já que vem de uma empreitada em competições de BMX nos Estados Unidos.

No caso de Lucas, as sessões não se restringiram apenas ao piloto. O pai também recebeu instruções da psicóloga, já que é o responsável direto pela sua formação como pessoa e atleta. “Se o pai dá uma instrução na hora errada, isso pode desconcentrar o filho, ou mesmo falar sobre o mesmo assunto muitas vezes. Pode dar uma carga de nervosismo que atrapalhe no desempenho, e isso tudo foi trabalhado”, explica Helcius Zimmermann, completando sobre a importância da conversa de psicóloga para atleta. “Com ela, o Lucas tem um canal de comunicação que não tem comigo. Às vezes o filho se preocupa em fazer o melhor para o pai, e se sente ansioso com a presença dele”, diz.

Psicologia também nos eSports

Cada vez mais popular, os esportes eletrônicos, ou eSports, também já merecem a atenção da psicologia. A brusquense Isadora Slomsky Appel, também formada na área e cursando especialização em Teorias Cognitivos-Comportamentais, presta serviços para equipes de eSports e já vê os resultados aparecendo. “É um segmento novo. Apesar da psicologia do desporto ser um ramo já conhecido, os esportes eletrônicos, em si, ainda estão em ascensão no Brasil. Entre os jogos mais populares em competições profissionais, podemos citar o MOBA League of Legends, que em suas equipes mais famosas já possuem no corpo técnico a presença de psicólogos”, completa. Isadora atua em clínica particular em Brusque.

Foto: Igor Machado de Castro/Divulgação

Foto: Igor Machado de Castro/Divulgação

Assim que passou a dedicar parte da sua carreira aos players, Isadora se viu com um desafio pela frente, já que foi procurada por equipes que queriam melhorar seus desempenhos. “A busca por profissionalizar a equipe técnica não se limita somente às equipes que participam da fase ‘elite’ da competição. Equipes de categorias abaixo estão cada vez mais buscando pelo apoio de psicólogos. Quando comecei minha carreira neste ramo, o time REMO Brave e-Sports estava procurando por um profissional de psicologia e me inseriram em seu corpo técnico. Hoje já fazem parte da elite”, diz.

Após passar por pelo menos quatro times de esporte eletrônico, Isadora diz ter percebido a importância de trabalhar não apenas com os atletas, mas os treinadores dos elencos. “Os dois principais objetivos dentro das equipes foram promover o bem-estar psicológico dos jovens e a promoção dos seus rendimentos, isto é, ajudá-los a conseguir melhorar suas capacidades e a desenvolver as suas competências mentais e psicológicas. Como por exemplo, trabalhar temas como motivação, comunicação, liderança, e controle da ansiedade e do estresse”, completa.

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