Candidato à Prefeitura de Brusque pelo SD, Odirlei Dell’Agnolo, o Bah, explica suas propostas de campanha

"Queremos um governo 100% transparente", afirma Bah

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Bah, candidato do Solidariedade -
Crédito: Wendel Rudolfo

Odirlei Dell’Agnolo, o Bah, disputa esta eleição para prefeito pelo Solidariedade (SD), partido criado há pouco tempo no município. Classifica seu plano de governo como o que talvez seja o mais liberal entre os sete candidatos, no que se refere a reduzir a participação dos agentes políticos na formulação de políticas públicas.

Entrevistado pelo Município Dia a Dia, ele fala com entusiasmo do seu projeto denominado cidadão digital, o qual visa, nas suas palavras, “entregar a cidade na mão do cidadão, por meio da tecnologia e da transparência”, e “libertar a sociedade da classe política atual”.

“O projeto visa evitar, por exemplo, que um vereador e um prefeito passe uma criança na frente na fila da creche, por ser amigo do prefeito ou do vereador, e a gente sabe que isso acontece, infelizmente”, argumenta o candidato.

Para ele, é importante ter controle social sobre a ação dos políticos, assim como sobre as informações públicas. “Queremos um governo 100% transparente”.

“Quem sabe quantas crianças estão fora da creche, quem sabe? Nós vamos constranger o político e obrigá-lo a trabalhar em prol da comunidade. Não vai mais precisar ser amigo do prefeito ou do vereador para ter dignidade”.

Ele também defende a informatização completa do sistema de saúde, de modo a haver um gerenciamento inteligente das filas de espera.
Nessa entrevista, Bah fala sobre seus planos para as principais demandas do município.


Governabilidade e política

Candidato de um partido pequeno, Bah pode vir a ter problemas, caso eleito, para lidar com o Legislativo local, o qual, conforme histórico recente, não costuma facilitar a vida de quem está no comando do poder Executivo.

Ele acredita, contudo, que na próxima legislatura não haverá um embate tão contundente.

“Acreditamos na força das ideias e na compreensão que nossos vereadores vão ter do que de fato interessa à comunidade. Não vemos um poder Executivo sendo alijado pelo poder Legislativo. Ambos são independentes”, analisa o candidato.

Bah também defendeu uma transparência maior no que se refere aos atos da Câmara de Vereadores, para que os parlamentares também tenham seu trabalho sob o olhar mais atento da sociedade.


Transporte e mobilidade

Em seu plano de governo, o candidato do SD defende um replanejamento do sistema cicloviário na cidade. “Eu não sei se os outros candidatos são ciclistas, mas eu sou”, afirma, ao argumentar que a mobilidade urbana tem que ser discutida “em todos os modelos”.

Bah diz que as ciclovias são um fator importante para melhorar a mobilidade no município, e por isso defende que o governo municipal incentive o uso da bicicleta.

Para ele, é necessário chamar especialistas para discutir a melhor forma de organizar o trânsito do município.

Ainda sobre o transporte público, Bah foi o autor, no passado, de uma ação popular cujo objetivo era obrigar a prefeitura a renovar a licitação para concessão do transporte coletivo de passageiros.

Essa licitação hoje encontra-se embargada judicialmente, e não há prazo para resolução do problema. Enquanto isso, a empresa concessionária segue prestando o serviço.

Bah afirma que a resolução desse problema é necessária para que o transporte público seja eficiente em Brusque. Na sua avaliação, um modelo ideal teria de contemplar, por exemplo, o uso de vans e veículos menores.

Ele também avalia que são necessários dois modelos diferenciados de transporte coletivo urbano. Um deles para as principais vias, de maior fluxo, e outro para os bairros, “em que toda a sociedade esteja amparada, não só quem vive perto do ponto de ônibus”.

“O que a gente não quer mais é ver o jovem morrendo em acidente de trânsito, porque é obrigado a comprar uma moto para poder se deslocar”, diz o candidato.

Para ele, também é necessário que o governo municipal faça uma análise científica da relação oferta x demanda, no transporte coletivo, para verificar se não há mais horários por falta de passageiros ou se faltam passageiros pois há poucos horários.

“No meu ponto de vista, se tiver um transporte público eficiente, as pessoas vão usar”, avalia.


Vagas em creche

Sobre a demanda reprimida de crianças fora da creche, Bah diz que a origem do problema é a má gestão feita pela administração pública. “O problema da educação hoje é o político. Temos que eliminar o político dessa ação, com transparência e tecnologia, enxugando, administrando melhor os recursos”, afirma o candidato, que promete trabalhar em enxugamento de custos para poder investir na educação.


Reforma administrativa

“Nós somos o único partido que colocou um limite máximo de cargos comissionados, que é 100”, afirma o candidato, ao ser questionado sobre suas ideias de enxugamento da máquina pública.

Ele afirma que hoje são cerca de 300 cargos comissionados, e se compromete a diminuir dois terços disso. “Vamos valorizar moralmente o servidor público efetivo. O cargo comissionado muitas vezes está lá para fazer política e não para entregar serviço”.

Sobre a possibilidade de corte de secretarias, ele diz que é preciso analisar. “Como a gente quer entregar serviço público, queremos um poder público eficiente, que significa pessoas competentes nas funções”.

“Vamos usar muita tecnologia para poder suprimir alguns cargos e funções administrativas. Preferimos investir na entrega dos serviços, na ação, do que na gestão administrativa”, conclui o candidato.


Tratamento de esgoto

Bah afirma que implementar o tratamento de esgoto no município é uma questão que tem que ser resolvida pelo próximo prefeito, pois se trata de um problema de saúde pública. “O investimento nesta solução também economiza em saúde, há uma contrapartida. Há de se abrir o debate com prazos, de início meio e fim”, diz.

Ele afirma não estar certo sobre qual modelo é o melhor, se por meio da prefeitura ou com financiamento da iniciativa privada. Garante, porém, que não é uma decisão a ser tomada de forma unilateral pelo poder Executivo.

“Temos que discutir esses modelos, tem que ser uma política de estado, não mais uma política de governo”.


Segurança pública

Apesar da segurança ser uma atribuição do governo do estado, o candidato acredita que o governo municipal deve participar, sobretudo na questão que se refere ao mapeamento dos crimes e sua utilização pela população.

Para Bah, se os cidadãos denunciassem formalmente todos os delitos, e os dados fossem compilados adequadamente, seria possível criar um mapeamento das ocorrências para planejar ações de prevenção.

“Tendo um mapa do crime na cidade, toda a sociedade vai poder colaborar de alguma forma. O problema pode ser resolvido por toda a sociedade, não por algumas cabeças eleitas”.

A guarda civil municipal não é uma opção viável, por ora, na opinião do candidato. “Seria um ponto de escape, é preciso esgotar todas as alternativas antes de gerar um novo custo para a sociedade. É uma alternativa, mas não é a primeira que eu vislumbro”.


Saúde pública

O candidato foi questionado sobre qual é, em sua avaliação, o principal gargalo da saúde pública de Brusque, na atualidade. Sem titubear, ele responde. “O principal gargalo da saúde é o político”.

“Sabemos, andando na rua, que tem gente esperando seis meses, um ano por um exame, a cada dia um recorde”, discursa Bah.

Para ele, os problemas no atendimento da saúde estão diretamente ligados à falta de uma boa gestão pelos agentes políticos, por isso defende menos atuação política e maior uso da tecnologia e da inteligência artificial no sistema de saúde, para gerenciamento do atendimento.


Patrimônio histórico

Nos últimos anos, tem havido embates entre o Conselho do Patrimônio Histórico de Brusque e proprietários de imóveis antigos, em virtude do tombamento ou não desses imóveis.

“Vivemos numa economia de mercado. Esse patrimônio às vezes é o único da família, ou o proprietário quer se desfazer para garantir um outro modelo de vida”, analisa o candidato.

Para ele, o tombamento desses imóveis é outra questão que não pode ser decidida unilateralmente pelo poder Executivo.

“Tem que discutir com a comunidade tomar uma decisão colegiada, não dá para onerar o dono do patrimônio”, afirma. “Não cabe ao prefeito nem a Câmara de Vereadores tomar essa decisão, é uma questão que merece atenção, os dois lados tem que ser avaliados”, conclui.


Confira entrevista na integra:

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