Candidatos a prefeito de Brusque falam sobre a operação Lava Jato em debate

Evento aconteceu no Centro Empresarial Social e Cultural; dois candidatos não participaram

foto geral (Copy)

Cinco dos sete candidatos a prefeito de Brusque participaram na manhã de ontem, no Centro Empresarial Social e Cultural, de debate promovido pela Escola de Educação Básica Dom João Becker. Não estiveram presentes Jadir Pedrini (PROS) e Jonas Paegle (PSB).

O debate teve duração de cerca de 1h30 e foi divido em cinco blocos. No primeiro, os candidatos se apresentaram, sendo que alguns aproveitaram os dois minutos disponibilizados para falar de suas propostas. Jones Bosio (DEM) foi o único candidato que não extrapolou o tempo permitido. No segundo bloco os alunos do Ensino Médio fizeram perguntas sobre mobilidade urbana, emprego, turismo e lazer, paisagismo e jardinagem, segurança e saúde, para cada um dos candidatos.

Chico Cordeiro (PSOL) foi o primeiro sorteado e respondeu uma questão referente às oportunidades que o mercado religioso de Brusque propicia. Ele disse que quer incentivar esse segmento e resgatar a incubadora de empresas. Mobilidade urbana foi a segunda pergunta do bloco, respondida por Bosio. Ele afirma que pretende dividir o município em 12 áreas, fazendo com que o ônibus coletivo saia do terminal e percorra as várias regiões da cidade em duas horas.

Gustavo Halfpap (PT) foi questionado sobre segurança pública. Ele diz que a competência é do governo estadual, porém, afirma que no governo Paulo Eccel a área ganhou atenção da prefeitura. O prefeito Bóca Cunha, do PP, falou sobre paisagismo e jardinagem. Ele afirma que desde que assumiu a prefeitura trabalha para cuidar das praças e ruas e deixar a cidade limpa. Odirlei Dell’Agnollo, o Bah (SD) respondeu uma pergunta sobre saúde. Ele observa que este é o tema mais recorrente na cidade e que com a redução de cargos comissionados se investirá mais na pasta.

Corrupção é debatida

No terceiro bloco do debate, os candidatos foram desafiados a falar sobre a Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil. Halfpap diz que não foi o PT que inventou a corrupção, mas que o partido também não ajudou a “desinventar”.

Bóca afirma que os políticos devem ser fiscalizados e que a Lava Jato deveria acontecer também nos estados e municípios. Bosio diz que esse é o maior desvio de dinheiro público do país e que o DEM não está envolvido. Cordeiro diz que a operação é importante, porém, não acabará com a corrupção. Bah afirma que é o início da mudança e parabenizou o trabalho do juiz Sérgio Moro.

Já no quarto bloco, cada candidato fez uma pergunta para um concorrente, com direito a réplica. As discussões foram tranquilas. A principal crítica foi de Halfpap, que questionou Bóca por ter “acabado” com o Cidade Natal. Por fim, cada um dos candidatos teve direito a deixar suas considerações finais. Bosio, Bóca e Halfpap criticaram a recusa de Pedrini e Dr. Jonas em participar do debate. “Quem não participa agora, não participará depois”, diz Bosio. “Ausência é descompromisso, falta de respeito com a nossa cidade”, afirma Halfpap. “Candidato tem que ir no debate para que as pessoas possam conhecê-lo”, diz também Bóca.


Projeto

O debate, promovido pela Escola de Educação Básica Dom João Becker, é resultado do projeto Profissões, trabalhado pelo professor João Ricardo nas disciplinas de História e Filosofia com os alunos do Ensino Médio.


Estudantes avaliam

Os alunos do Ensino Médio da escola realizadora do evento foram convidados pelo Município Dia a Dia, previamente, para analisar a participação de cada um dos convidados. Os estudantes foram escolhidos aleatoriamente.


Ana Eliza de Souza e Silva, 16 anos

Ana Eliza de Souza e Silva, 16 anos

Ana Eliza de Souza e Silva, 16 anos

Avaliado: Gustavo Halfpap (PT)

“Achei um lado um pouco obscuro sobre o que ele falou sobre segurança. Ele comentou que, junto com o Paulo Eccel, trouxe grande segurança para os bairros de Brusque. Mas eu, no ano passado, fui menor aprendiz do Senac, então eu fazia todo o trajeto do terminal até o Senac e do Senac até o terminal e passávamos por aquela ponte da passarela. Não foi uma e nem duas vezes que a gente encontrava pessoas usando drogas, e éramos assediadas verbalmente. Nós chegamos a denunciar e falar para ele isso, e nada foi resolvido. Por isso, as propostas dele não me convenceram, pois faltou muito no governo que ele quer dar continuidade”.


Isabella Duque, 18 anos

Isabella Duque, 18 anos

Isabella Duque, 18 anos

Avaliado: Bóca Cunha (PP)

“Sinceramente, eu prestei bastante atenção e acho que ele não se posicionou diretamente. Ele falou sobre os planos dele, mas não foi certeiro. Foi incoerente em algumas vezes, e em outras ele se posicionou bem. Quando ele falou que tem se investido em paisagismo na cidade, reparo que tem melhorado. Mas em outros pontos, não. Pra finalizar ele falou que os homens têm que respeitar as mulheres só porque elas têm uma dupla jornada. Ele se posicionou como se precisasse respeitar porque ela trabalha mais, mas o que vai fazer para mudar isso? Então a mulher vai continuar trabalhando 16 horas e vai continuar por isso mesmo?”


Carlos Eduardo Libardo, 16 anos

Carlos Eduardo Libardo, 16 anos

Carlos Eduardo Libardo, 16 anos

Avaliado: Chico Cordeiro (PSOL)

“Eu acho que ele tem a intenção de fazer a mudança, tem seus próprios ideais e um conceito por trás disso, porém, tem muita insegurança no que ele diz. Eu acho que ele mesmo não se convence que aquilo vai acontecer, é uma coisa muito utópica, que ele diz que vai, mas na realidade ele mesmo sabe que não vai. Pelo menos ele transmitiu essa imagem e foi o que deu para entender. Se os objetivos dele forem colocados em prática e funcionarem, é algo que ajudaria demais o município, porém, não vejo isso acontecendo.”


Emilly Fernanda Spredemann, 17 anos

Emilly Fernanda Spredemann, 17 anos

Emilly Fernanda Spredemann, 17 anos

Avaliado: Odirlei Dell’Agnollo, o Bah (SD)

“As propostas dele me interessaram bastante, mas eu vi que ele não teve muita oportunidade de se expressar, de passar mais suas propostas. Mas ele passou segurança, principalmente em relação à saúde, o que me interessou bastante, já que o processo de saúde é demorado. Pra conseguir um exame na saúde pública é muito difícil, exemplo é que eu estou há 40 dias esperando um exame e, se fosse algo mais sério, já teria agravado o problema. Eu acredito que a proposta dele é muito boa, agora faltou oportunidade dele se expressar, mas é algo que eu vou procurar fazer: me informar mais dele politicamente.”


Júlia Marques, 17 anos

Júlia Marques, 17 anos

Júlia Marques, 17 anos

Avaliado: Jones Bosio (DEM)

“Eu observei os dados que ele trouxe e eu não achei todos coerentes. Ele fala muito bem, se posiciona muito bem diante dos problemas do município, mas eu não confiaria à prefeitura para ele, pelo fato de que as respostas dele são muito abertas. Eu acredito que ele tenha enrolado muito e não tenha sido tão direto. A proposta dele é abrangente, mas de certa forma não é direta e clara”.

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