Cineasta brusquense produz documentário ao lado de renomados produtores brasileiros

Fernando Sapelli trabalhou na produção de "Exodus - De Onde eu Vim Não Existe Mais", que estreou na quinta-feira, 20, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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Crédito: Divulgação

O brusquense Fernando Sapelli, de 29 anos, vive um dos momentos mais importantes de sua carreira. Ele é um dos produtores do documentário “Exodus – De Onde eu Vim Não Existe Mais”, que estreou na quinta-feira, 20, na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O filme, que conta histórias de seis refugiados de diferentes partes do mundo que foram forçadas a deixar suas casas e construir suas vidas sob circunstâncias desafiadoras, é dirigido por Hank Levine, que produziu Cidades de Deus, Lixo Extraordinário e Praia do Futuro. A co-produção entre Brasil e Alemanha tem a marca do talento do brusquense e também de renomados produtores como Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlinck e Hank Levine.

Documentário foi gravado em mais de dez países diferentes  / Foto: Divulgação

Documentário foi gravado em mais de dez países diferentes / Foto: Divulgação

O jovem, filho do empresário Ademar Sapelli, que mora em São Paulo há cinco anos, estudou Cinema de 2004 a 2008 em Santa Bárbara, na Califórnia (EUA). Ele conta que sempre desejou trabalhar neste segmento, no entanto, não necessariamente imaginava ser produtor de cinema, mas que a decisão foi se encaminhando quando começou a entender como funcionava a indústria cinematográfica. “Eu sempre tive o desejo de trabalhar com produção audiovisual e com produções artísticas”.

O brusquense diz que depois que se formou trabalhou por quase dois anos Los Angeles, onde passou por empresas como a Sony e a produtora do Leonardo DiCaprio. Após isso, decidiu começar um projeto próprio voltado a ONGs, em que retratava o trabalho de instituições por diversas partes do mundo. Esse projeto evoluiu, ganhou “corpo” e as ONGs utilizaram o trabalho para sua própria divulgação.

Sapelli conta que foi por meio deste projeto que conheceu o diretor de filmes, Hank Levine, que na época morava no Brasil, e que de lá para cá começaram a desenvolver a ideia da produção do Exodus. O jovem afirma que a ideia foi de Levine, que tinha contato com outros produtores, que gradativamente foram integrando o “time de produtores”.

Pesquisa e produção

O filme começou a ser desenvolvido em 2011, embora as pesquisas tenham iniciado ainda em 2008. Ele lembra que no período de pré-produção o tema refugiados não era muito discutido, como é hoje. Em 2012, após algumas viagens em campos de refugiados e com o material em mãos, os produtores começaram a compreender melhor o que era o documentário.

Uma equipe de produção, que envolveu mais de 100 profissionais, percorreu dez países durante 2014 a 2016. Sapelli afirma que a produção exigiu uma logística particular para conseguir chegar em locais de acesso muito difícil, como campos de refugiados na Argélia e Mianmar, e países como Sudão do Sul, Congo e Haiti.

O produtor revela que o objetivo principal do documentário é mostrar histórias humanas, de pessoas comuns. “O refugiado não tem a escolha de sair de sua casa, não é uma decisão própria, é algo imposto a ele”.

Segundo o brusquense, saber lidar e saber atuar em situações que fogem do controle, buscando a melhor solução para toda a equipe envolvida e para os personagens que estão em frente às câmeras são grandes desafios. “O documentário permitiu experiência e a oportunidade de passar por todas essas situações, conviver com outras realidades, estar em campo de refugiados, sentir o que são estas histórias”, diz o brusquense, que completa: “Esperamos que essa experiência, vivida no filme, possa tocar as pessoas também”. O filme teve o apoio dos supermercados Archer.

Aprendizagem

Sapelli destaca que tem sido uma grande oportunidade e aprendizagem trabalhar com produtores renomados. Para ele, este é um dos seus trabalhos mais importantes. “São produtores que têm vários filmes produzidos, poder trabalhar com eles é a maior escola que eu poderia ter”.
Entre seus projetos, está a co-produção entre Brasil e Alemanha do longa-metragem “Alguma coisa assim”, que o produtor pretende lançar num festival no próximo ano.


A história

As histórias, contadas em paralelo, mostram o desenvolvimento de seus destinos durante o período de dois anos. A narração do filme é feita por Wagner Moura e o texto foi escrito pela escritora Taiye Selasi. A trilha foi composta pela artista alemão Hauschka.

Seis refugiados de diferentes partes do mundo que foram forçadas a deixar suas casas e construir suas vidas sob novas circunstâncias desafiadoras. Napuli, uma ativista política, teve que fugir do Sudão do Sul para a Alemanha, passando pela Uganda, onde luta pelo seu direito de ficar. Tarcha nasceu no Saara Ocidental e teve que fugir para a Algéria, em 1975, por causa da invasão Marroquina, e desde então vive em campos de refugiados. Nascida na Síria, Dana chegou no Brasil via Turquia, e quer reconectar desesperadamente com sua família, que está no Canadá. Nizar, um Sírio-Palestino, está na sua jornada do Brasil para a Europa, via Cuba, onde pretende encontrar refúgio e trazer sua família. Bruno, do Togo, passou nove anos em campos de refugiados na Alemanha, até que finalmente conseguiu legalizar sua situação, sendo que agora ajuda outros refugiados. Lahtow e Mahka de Kachin, no Mianmar, tiveram que deixar suas casas devido aos conflitos militares; apesar de estar no meio dos conflitos, Mahka enfrenta o perigo constantemente para visitar sua casa com sua família.

A Mostra

A 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é realizada de 20 de outubro a 2 de novembro. Durante duas semanas serão exibidos 322 títulos em 35 endereços, entre cinemas, espaços culturais e museus espalhados pela capital paulista, incluindo projeções gratuitas e ao ar livre. Mais informações no site.

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