Conselho aprova tombamento do casarão de Dom Joaquim

Medida foi proposta pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e aguarda parecer do gabinete do prefeito

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Casarão foi edificado entre 1875 e 1880 -
Crédito: Arquivo Município

O Conselho Municipal do Patrimônio Histórico (Comupa) aprovou, neste mês, o encaminhamento de pedido de tombamento do casarão onde funcionou o antigo Armazém Davi Hort, na rua do Cedro, no bairro Dom Joaquim.

O pedido, feito pela União Sul Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo Dia, tramita desde a gestão interina de Roberto Prudêncio Neto, mas seu encaminhamento estava em ritmo lento, devido às trocas dos membros dos conselho, que foi desativado por algum tempo.

Agora, a Prefeitura de Brusque irá avaliar a proposta de incorporar a construção em seu rol de imóveis tombados. Caso o pedido seja acatado, o município torna-se corresponsável pela conservação do espaço e fará a notificação ao proprietário do local.

“O próximo passo é a concordância do prefeito, para a Fundação Cultural fazer a notificação do proprietário”, explica o historiador da Fundação Cultural, Álisson Castro.

Se o Executivo concordar com a tramitação do pedido de tombamento, é feita a notificação ao proprietário e aberto um processo administrativo para tratar do tema.

Nesse processo, os proprietários vão informar se concordam ou não com o pedido de tombamento, e apresentar suas razões e argumentos.
Após esse processo, toda a documentação vai novamente para o gabinete do prefeito, o qual, de posse de todos os argumentos, decide se o imóvel deve ser tombado ou não. Em caso positivo, isso é feito mediante decreto.

Vontade política

Segundo o historiador da Fundação Cultural, “isso é uma questão de vontade política do prefeito”. A afirmação de Castro está relacionada à morosidade do pedido de tombamento de dois imóveis da Igreja Luterana, feito pelo próprio conselho de patrimônio, que há mais de um ano aguarda aprovação do Executivo, sem sucesso.

O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) também acompanha o caso.

A 6ª Promotoria de Justiça de Brusque instaurou recentemente um inquérito, a pedido da Igreja Adventista, para apurar a necessidade de proteção e recuperação do casarão de Dom Joaquim.

Interesse histórico

Segundo informações da Fundação Cultural, representantes da Igreja Adventista trouxeram rumores sobre a possibilidade de demolição da residência,- edificada entre 1875 e 1880 -, o que os preocupou bastante, já que a igreja tem interesse histórico no imóvel.

Isso porque foi por meio dele que, em 1884, chegaram a Santa Catarina revistas que continham os primeiros ensinamentos baseados na doutrina Adventista.

Eles foram endereçados ao senhor Carlos Dreefke, residente em Brusque. Em 1878, um jovem alemão também morador de Brusque, de nome Burchard, cometeu um crime. Para escapar das autoridades, segundo informam historiadores, foi ao porto de Itajaí, onde entrou como clandestino a bordo de um navio.

Nessa viagem, conheceu dois missionários adventistas, os quais lhe entregaram literatura sobre a doutrina religiosa. Burchard era enteado de Carlos Dreefke, que apreciava literatura religiosa.

O pacote foi entregue no armazém do senhor Davi Hort, hoje conhecido como Casarão de Dom Joaquim, se tornando uma espécie de “berço” da Igreja Adventista no Brasil.

5 Comentários

  1. Avatar
    Harmenia Comandolli setembro 21, 2016

    Pobre João Cesar Comandolli e sua mãezinha, Dona Ane Frank Becker Comandolli, se fosse em tempo certo a vinte anos atrás, quando o Pai Joanim Comandolli ainda estava entre nós, e apitava suas vontades, este prédio devia vira a chon, Agora arcar com um elefante branco em nome de uma igreja, que nada representa a a fé e história da família Comandolli.
    Prejuiiza na certa.
    #Injusta, essa promessa de aventureiro político

    Nem tradição adventista tem o Distrito de Dom Joaquim, ainda pertencente a Brusque – SC (que se pague um soldo, e grande)

    p.s.: usem o estabelecimento com SABEDORIA, antes que ninguém mais a coloque na chão!

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      Lukao setembro 21, 2016

      Boa idéia, transformando o distrito de Dom Joaquim em município o casarão volta ao estado quo; e tchau tombamento histórico. A lei vai ter que retroagir de acordo com os planos diretores desse novo, próspero e fututo municipio que se demarca. Emancipação, SIM. Uma luz para Dona Ane, querida e amada catequista de nossas infâncias. Catolica Spostolica e Romana, Graças à DEUS.

      NEM EXISTE UM TOMBAMENTO FORMAL, no papel, no Diario Oficial. Então, fica a dica… É de vcs e vcs decidem César e familia. #SemMedo

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      Maiara outubro 21, 2016

      Ola Harmenia, essa casa é do João Cesar e da d. Ane?

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    Jandira Tormena setembro 21, 2016

    Sensacional notícia ! Que este casarão não sofra o mesmo destino de tantos outros por nossa cidade !
    Que sua beleza permaneça intacta pras futuras gerações ! Que suas histórias possam ser perpetuadas a todos que nele fitarem seus olhos !
    Que isso aconteça com as demais poucas casas que restam em nossa cidade.

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      Lukao setembro 21, 2016

      Sensacional, porque a velharia não esta caindo na sua cabeça. No mínimo merecem uma grande indenização para manter esse “elefante branco”. E o direito de propriedade? Direito das Coisas, já ouviu falar? A posse é situação de fato, já a propriedade definitiva tem que ser indenizada. Isso parece mais desapropriação de imóvel, de único bem de família. Vai lá, constrói uma casa novinha para essa família. #Folgada

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