Correios vão pedir reintegração de posse do prédio ocupado por moradores de rua em Brusque

Medida visa amenizar o problema com os mendigos; Igreja Luterana também reivindica a área

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Moradores de rua ocupam o espaço há alguns meses -
Crédito: Bárbara Sales

Os Correios irão entrar nesta semana com pedido de reintegração de posse do prédio onde funcionava sua sede, na esquina das avenidas Monte Castelo e das Comunidades, no Centro. O local está ocupado por moradores de rua há alguns meses e a reintegração visa resolver o problema que têm gerado desconforto para estabelecimentos e moradores próximos ao local.

O gerente regional dos Correios em Santa Catarina, Édio Augusto da Silva, afirma que resolver a situação do imóvel onde funcionava a empresa em Brusque é prioridade. Segundo ele, um processo de venda do terreno chegou a ser aberto, no entanto, teve de ser paralisado devido a uma situação com a Comunidade Evangélica Luterana, que reivindica o espaço. “Nós tivemos que parar o processo de venda porque a Igreja Luterana alega que foi feita cessão do terreno para a construção da antiga sede, mas nós temos o contrato de compra, então tem esse impasse”, explica.

De acordo com Silva, a intenção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) é vender o imóvel o mais rápido possível. “Baseada em situações semelhantes, em torno de 100% dos casos é feita a venda, mas precisamos resolver essa questão com a igreja, que está em Brasília e aguardar também o nosso pedido de reintegração para podermos amenizar o problema”, diz.

O Município Dia a Dia entrou em contato com representantes da Comunidade Luterana, no entanto, eles preferiram não se manifestar sobre o caso neste momento.

Nova gestão pretende demolir o imóvel

Na tarde de ontem, o vice-prefeito eleito de Brusque, Ari Vequi, esteve na sede regional dos Correios, em Florianópolis, para tratar sobre a situação envolvendo o prédio e os moradores de rua.

Vequi afirma que a intenção, assim que a nova gestão assumir, é demolir o imóvel, mas para isso, precisa da autorização da empresa. “Queremos resolver o problema o mais rápido possível, mas os Correios precisam autorizar. Sabemos que a estrutura do prédio não está boa e por isso levantamos esse assunto na reunião”, diz.

O gerente regional confirmou os problemas de estrutura no prédio, mas destaca que cabe à sede da empresa, em Brasília, definir o que acontecerá com o imóvel. “Como é um patrimônio da ECT, ele passa por vários processos de análise. Hoje, a política da ECT é optar pela venda do imóvel. A prefeitura demonstrou vontade de demolir, inclusive existe laudo técnico da nossa área de engenharia afirmando que o imóvel apresenta riscos, mas temos que aguardar uma definição”.

Silva diz que a gerência regional dos Correios vai aguardar um ofício com a proposta da nova gestão em demolir o prédio para dar seguimento ao processo. “Vamos tentar essa solução de imediato”.

Situação gera desconforto na população

Há vários meses os moradores de rua têm usado a antiga sede dos Correios como moradia. A situação incomoda os vizinhos do local, que precisam conviver com a sujeira que se acumula.

Em maio, o Município Dia a Dia publicou uma reportagem sobre a situação. À época, a assessoria de imprensa dos Correios informou que a empresa colocaria barreiras de contenção no local, já que os moradores de rua invadiram o prédio. Passados seis meses, a solução encontrada pela empresa não foi implantada.

O gerente regional, Édio da Silva, diz que em até 30 dias a empresa vencedora da licitação deve iniciar a implantação dos tapumes no local. O atraso, segundo ele, foi por problemas no processo licitatório. “Vamos providenciar os tapumes, mas acredito que isso não resolverá o problema de fato”, diz.

Enquanto a situação não é resolvida, estabelecimentos próximos ao local precisam conviver com o problema. Hoje vivem no espaço cerca de 15 moradores de rua. A convivência entre eles nem sempre é harmônica, já que brigas são frequentes. “Todo dia tem uma pessoa nova ali. Muitas vezes eles brigam, mexem com as pessoas que passam na rua, pedem coisas. Às 7h quando chego pra trabalhar eles já estão bebendo, é uma situação complicada”, diz Jaison Ferreira, que trabalha em um estabelecimento vizinho ao local.

De acordo com ele, a situação incomoda os clientes. “Eles sempre falam da situação, ouço muita reclamação dos clientes”.

Ana Paula Habitzreuter trabalha em outro estabelecimento próximo ao local. Ela diz que os moradores de rua frequentam o seu comércio, mas ela percebe que se tem algum deles no local, outros clientes não entram. “É complicada essa situação, eles nunca me incomodaram, mas fica uma situação chata aqui bem no Centro da cidade”.

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