Enfim a tão aguardada continuação e final de “The Fall”

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Há elementos viciantes em séries policiais com formato de thriller psicológico, aonde o bom detetive literalmente caça o bandido e fica tentando entender o motivo de suas hediondas ações.

Em The Fall, disponível no nosso Netflix de cada dia, isso não é diferente. Stella Gibson, vivida magistralmente por Gillian Anderson (a eterna Agente Scully de Arquivo X), nos entrega uma atuação consistente e competente de uma mulher forte e ousada, cujas emoções borbulhantes são contidas, quase sufocadas, chegando a superfície de forma calma, mas dando sinais que pode explodir a qualquer momento. É o quase que nunca acontece…

Em alguns momentos somos levados a questionamentos, a porquês do bandido cometer tantos crimes e demonstrar um padrão agressivo de comportamento, como uma válvula de escape perante uma encenada pacata e discreta vida. Teríamos todos nós uma sombra? O texto brinca e nos faz perceber que talvez Stella seja a versão que consegue segurar a onda, não ultrapassando a linha tênue da humanidade e que o assassino Paul/Peter a cruza facilmente, na tentativa de preencher um vazio existencial e para o telespectador isso representa um contraponto interessante.

Após um longo hiato, a série retorna para 6 derradeiros episódios. Stella havia capturado Paul/Peter e ele havia sido baleado, nos deixando em suspense sobre o que poderia ter acontecido.

Não, a morte seria um caminho muito fácil, nos diz Stella, que faz de tudo para que ele viva para pagar pelo que fez.

Talvez ela simpatize com ele, talvez queira entendê-lo, talvez queira apenas justiça e encerramento. Não há como saber de fato e creio que isso nem importe.

Há uma discussão interessante sobre ética entre os dois médicos que trabalham para salvar Paul, quando este chega em estado crítico ao hospital, aonde o médico da emergência diz: fizemos um juramento e nossa missão é salvar vidas, não importando o que as pessoas fazem com ela. Abro um parêntesis aqui sobre as cenas do Pronto Socorro e Sala de Cirurgia, além das iniciais da UTI, que foram muito realistas e muito bem-feitas, com suspense na dose certa.

The Fall é uma daquelas séries ótimas de se ver, que nos deixa cheios de perguntas. Confessa aí vai, se você nunca ficou intrigando, tentando entender o que leva uma pessoa a tirar a vida de outra? Ainda mais com requintes de crueldade envolvidos?

Essa terceira temporada nos apresenta justamente isso, as várias e perversas facetas do nosso assassino Paul, vivido pelo galã de 50 Tons de Cinza, Jamie Dornan, os impactos sofridos pela esposa e seus filhos, a sofrência de Stella, do Chefe de Polícia alcoólatra e apaixonado por Stella, enfim, nunca nada é só isso, o nada, mas sem se preocupar em dar respostas prontas, nos entregando inclusive, um final bastante inesperado.

 

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Gislaine Bremer – consultora e especialista em mapeamento de ciclos

 

 

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