Entidades temem “despejo” de terreno em frente ao pavilhão e Fenajeep é assediada por Balneário

Acordo entre prefeitura e a família Hoffmann prevê que 38 mil m² da área voltem para os antigos donos

TERRENO (Copy)
Área é utilizada pelo Jeep Clube, Kart Clube, CTG e pelos atletas do bicicross -
Crédito: Arquivo Município

O futuro dos eventos organizados no espaço em frente ao pavilhão de eventos Maria Celina Vidotto Imhof está indefinido. Com o acordo entre a Prefeitura de Brusque e a família Hoffmann – proprietária do espaço – realizado no ano passado, entidades como o Brusque Kart Clube, o CTG Laço do Bom Vaqueiro, o Brusque Jeep Clube e as equipes de bicicross, que ocupam o local, não têm garantias de que poderão realizar seus eventos no espaço a partir do próximo ano.

O impasse acontece porque no ano passado a prefeitura propôs devolver 38 mil metros quadrados do terreno, que foi desapropriado em 1992, de volta para a família Hoffmann. Esta área que volta aos ex-proprietários é justamente onde está localizado o kartódromo, a pista de bicicross e o local ocupado pelo CTG. Após firmado o acordo, as entidades afirmam que não receberam nenhuma comunicação sobre os prazos que têm para deixar a área. “No início do ano fizemos reuniões com o prefeito interino [Roberto Prudêncio Neto], e nos passaram alguns prazos no processo de devolução do terreno para a família, mas não ficou muito claro quando teríamos que sair do local. Inicialmente seria no primeiro semestre deste ano, depois passou para dezembro e depois para dezembro do ano que vem. Mas não temos nada definido”, diz o presidente do Brusque Kart Clube, Aknaton Camargo.

A mesma situação ocorre com as demais entidades. Tanto os representantes do bicicross, como do CTG, esperam poder permanecer no local até que toda a estrutura no terreno que foi adquirido para a construção da Vila Olímpica, na localidade de Volta Grande, ainda no governo de Paulo Eccel, fique pronta.

“Temos esperança que o CTG possa ficar ali até que o outro projeto fique pronto. Enquanto isso não acontecer, a gente espera. Teríamos que conversar com a família para ver esta situação. Esperamos que possamos fazer, pelo menos, mais um rodeio no local”, diz o patrão do CTG, Mano Hoffmann.

“Não temos outro local para o bibicross senão nessa área em frente ao pavilhão. Duas equipes da cidade utilizam o espaço. Será um enorme prejuízo para o esporte”, diz o diretor da Associação Bicicross Berço da Fiação, Helcius Zimmermann.


“Temos propostas para levar a Fenajeep para outra cidade”

Um dos principais eventos de Brusque, a Festa Nacional do Jeep, a Fenajeep, também não tem lugar garantido para a edição de 2017. O maior evento off-road da América Latina utiliza o pavilhão da Fenarreco para as exposições e também a área em frente para as disputas.

O presidente do Brusque Jeep Clube, Vilmar Walendowsky, o Negão, afirma que no ano passado foi acertado com a família o uso do espaço para realizar a Fenajeep 2016, no entanto, para o evento do ano que vem ainda não foi decidido nada.

Negão afirma que não há tempo hábil e nem recursos na prefeitura para estruturar o terreno adquirido na localidade de Volta Grande, onde futuramente devem ser realizados os eventos do município. “Fazer a pista é fácil, mas como fica o galpão para exposição, energia, água, esgoto, banheiros? Para o ano que vem, o prefeito que entrar vai ter que negociar porque eu não vejo tempo hábil de ter condições de ir lá para baixo”, diz.

O presidente do Jeep Clube diz ainda que o assédio para levar a Fenajeep para outros municípios é muito grande e, com a devolução do terreno para a família Hoffmann, está ainda mais constante. Ele diz que já recebeu propostas de Leonel Pavan, candidato do PSDB à Prefeitura de Balneário Camboriú, para que o evento seja realizado na cidade litorânea no próximo ano. “Somos bairristas, queremos deixar a Fenajeep aqui, mas precisamos de apoio para que isso aconteça. O evento é realizado com recursos próprios do Jeep Clube, só necessitamos do apoio da prefeitura em ceder a estrutura, então se não tivermos esse apoio, fica complicado”.

Definição após a eleição

Os representantes das entidades aguardam a eleição para saber o que acontecerá nos próximos meses. A situação da devolução do terreno, inclusive, já foi tema de reuniões com vários candidatos que prometeram auxiliar na resolução do problema e agilizar as obras no terreno na localidade de Volta Grande. “Estamos aguardando o fim da eleição para saber quem vai entrar na prefeitura e como poderemos proceder”, diz Mano Hoffmann.

A reportagem entrou em contato com o advogado da família Hoffmann, Marcus Luiz da Silva, o Marcão, que informou que o processo de devolução da área está em andamento, no entanto, afirmou não saber como a família irá proceder no caso. Ele também não informou prazos de quando as entidades terão de desocupar o local.


Prefeitura já iniciou pagamentos do acordo

A Prefeitura de Brusque efetuou no início de setembro o pagamento de parte da primeira parcela dos honorários advocatícios do processo relacionado aos terrenos pertencentes à família Hoffmann. O município pagou R$ 300 mil e o saldo foi dividido em outras três parcelas, sendo cada uma delas de R$ 100 mil, que serão quitadas nos meses de outubro, novembro e dezembro.

O pagamento de honorários foi estabelecido em acordo firmado entre o município e a autora da ação, a empresa Lianete S.A. Administração, Indústria e Comércio. Desse modo, a atual gestão da Prefeitura de Brusque liquidará, ainda este ano, a primeira parte do montante. Vale destacar que está previsto no orçamento do próximo ano o pagamento de mais R$ 600 mil. A quantia total de encargos advocatícios é de R$ 1,2 milhão.

“O pagamento de R$ 600 mil neste ano é uma despesa extraordinária para o município. O valor não estava previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), definida em julho de 2015, e nem na Lei Orçamentária Anual (LOA), firmada em outubro do ano passado”, afirma Rogério Lana, secretário de Orçamento e Gestão. “É importante lembrar que o pagamento do valor exigiu que o governo municipal remanejasse seus recursos, que até então seriam investidos em outras áreas”, enfatiza.

O governo municipal também terá que prever para o orçamento do próximo ano uma série de investimentos em infraestrutura no terreno em frente ao pavilhão Maria Celina Vidotto Imhof, como a implantação de duas vias públicas, com água potável, rede de esgoto e coleta de águas pluviais, linhas e equipamentos para distribuição de energia elétrica, iluminação pública e pavimentação. Segundo um levantamento prévio da prefeitura, os gastos ultrapassarão o valor de R$ 3 milhões.

Implantação de vias públicas

De acordo com o Instrumento de Transação Judicial, uma das vias parte da rodovia Antônio Heil até encontrar-se com a outra rua que será implantada e a avenida Beira Rio, pela extrema do terreno no sentindo oposto ao do pavilhão, utilizando-se de uma faixa de 20 metros de largura. Já a segunda via partirá da rua Oscar Carlos Muller até encontrar a primeira rua a ser implantada, utilizando-se de uma faixa de dez metros de largura.

O documento estabelece o prazo máximo de quatro anos para conclusão das obras e serviços relacionados à via que parte da rodovia Antônio Heil em direção à avenida Beira Rio, sendo que no primeiro ano a via já deverá estar aberta. E o prazo de dois anos para a conclusão das obras e serviços relacionados à via que parte da rua Oscar Carlos Muller até encontrar a outra que será implantada, sendo que no primeiro ano também deverá estar aberta.

O prazo para início dos trabalhos passou a contar a partir do dia 30 de janeiro de 2016.

4 Comentários

  1. Avatar
    Luka L. setembro 23, 2016

    Esse processo começou a intrução no tempo que a máquina de escrever Olivetti era o top dos equipamentos gráficos manuais.

    Lembro que nessa época vc levava uma manhã para imprimir uma unica página de texto, nos computadores da Fábrica Renaux usando o software da moda: o Basic (nem moda era ter computador em casa, era o velho Atari e olhe lá);

    Aí vem sei lá quem, desapropria o imóvel da família citada, e deixa essa dívida para quem era criança / adolescente no início dos anos 90 pagar essa conta hoje.

    Sim, cresci e hoje também pago TRIBUTOS ao município.

    Ainda saiu barato essa conta, se dividir entre 110.000 habitantes, comparado com os 40.000 habitantes da época.

    ¿Aih Pablito, que fizestes con nos otros hombre?

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      Cirito Escobar setembro 23, 2016

      Buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá…morri.. também, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      El Prefeito Escobar – tu tá vendo muito NARCOS, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      p.s: (A vida deve ser vivida de forma irresponsável, mas com responsabilidade! – Há três maneiras de fazer as coisas: bom, ruim e como eu faço…. – Pablo Escobar, em NARCOS!

      “Plata o plomo”, oops, digo,

      Paz & Bem!

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    Zeca Tatoo setembro 23, 2016

    Até parece que essa desapropriação não fora previamente roteirizada, antes do prefeito da época assumir. Seus trouxas! Todos lucraram, a conta agora é de vocês. O IBAMA deveria tombar essa área e plantar muuuuuuito eucalipto, só pra virar o jogo desses “donos da cidade”. Não sao donos nem de seus ossos e carnes. #PastaPovo

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    Teoria da Conspiração setembro 23, 2016

    “Temos esperança que o CTG possa ficar ali até que o outro projeto fique pronto. Enquanto isso não acontecer, a gente espera. Teríamos que conversar com a família para ver esta situação. Esperamos que possamos fazer, pelo menos, mais um rodeio no local”, diz o patrão do CTG, Mano Hoffmann. (sic)

    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Mano Hoffmann não é o herdeiro direto de Germano Hoffmann , ou é outro “mano”, brother?
    Que tiro no pé!
    Poderiam ter ensaiado melhor essa “desapropriação”! esqueceram de dar o roteiro pros sucessores…
    #que bandeira kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Raimundo Faoro pira! Donos do Poder e seus vacilos kkkkkkkkkkkkkk

    p.s.: conspiração não é teoria!
    #FicaDica kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    #comédia mano, digo, brô!

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