Fragmentos da História da Colonização Alemã em SC: Joinville

Parte IV

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Dando continuidade à série que busca retratar um pouco da história das principais colônias alemãs fundadas em Santa Catarina, o tema de hoje té focado na Colônia Dona Francisca (atual Joinville).

O dote de casamento da Princesa Dona Francisca

A Colônia Dona Francisca é resultado do dote que a Princesa Dona Francisca Carolina tinha direito pelo princípio consuetudinário, em que cada consórcio em uma família real implicava no estabelecimento de um dote. Pela Lei nº 166, de 1840, ficou estabelecido que as princesas, filhas de D. Pedro I, em idade de se casar, teriam direito a um patrimônio em terras, pertencente à nação. Assim, quando a Princesa Dona Francisca se consorciou com o Príncipe de Joinville, o nobre francês François Ferdinand Philippe de Orleans, recebeu, como dote de casamento, terras na Província de Santa Catarina.

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A negociação do dote

Em função de dificuldades financeiras, o Príncipe negociou os dotes nupciais com a Sociedade Colonizadora de Hamburgo. A ideia era fazer do local uma colônia essencialmente agrícola para fornecer produtos para a Alemanha, já que o Brasil era visto como um território vasto e rico “a ser ocupado”. São Francisco do Sul, atualmente restrito à ilha de mesmo nome, abrangia à época da colonização um vasto território que foi aos poucos sendo subdividido.

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Os primeiros imigrantes

A construção de ranchos e casas de alojamento e o trabalho com a terra nas primeiras plantações requisitavam homens com experiência na lida rural. Mas como as famílias contratadas não tinham estes atributos e já havia nas redondezas uma série de fazendas e sítios habitados por francisquenses e seus escravos, o trabalho duro dos primórdios foi feito pelos brasileiros que ali moravam. A partir de 1851, foram trazidos de Hamburgo, em diferentes levas, imigrantes suíços, noruegueses e alemães, que apresentaram, desde logo, grande heterogeneidade étnico-cultural.

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Alemães, suíços, noruegueses e dinamarqueses trabalhavam lado a lado e sua formação intelectual é digna de registro. A título de exemplo, a leva de imigrantes de setembro de 1851 continha oficiais do antigo Exército alemão, capitalistas, agrimensor, teólogo e médico, além de artesãos. Por outro lado, os agricultores possuíam uma tradição agrícola diferenciada, onde, ao invés de trabalhar a terra com enxadas, utilizavam arados de ferro, puxados à tração animal.

O crescimento econômico da Colônia Dona Francisca

À medida que a Colônia ia crescendo em população, paralelamente crescia a economia. Em 1865, o crescimento populacional da Colônia fez com que se inaugurasse uma nova frente de colonização, acompanhando a abertura de uma estrada em demanda ao planalto sedimentar norte catarinense, para onde se estenderia, nos campos de São Miguel e no vale do rio São Bento.

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Ponto decisivo no processo de desenvolvimento econômico desta Colônia foi a estrada ligando a sede da colônia ao planalto catarinense, denominada, inicialmente Estrada da Serra e, posteriormente, Estrada Dona Francisca e alcançava a vila do Rio Negro. A conclusão desta estrada facilitou o comércio entre o litoral e enriqueceu a Colônia, transformando-a em entreposto no comércio de exportação de erva-mate, gerando capitais para o processo de industrialização.

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Em 2016,  Joinville é a cidade com maior população e maior PIB (Produto Interno Bruto) de Santa Catarina.

Fonte:PIAZZA, Walter Fernando. A Colonização de Santa Catarina. 1994.

 

Fragmentos da História da Colonização Alemã em Santa Catarina, parte V: Brusque.

Na próxima semana, vamos conhecer um pouco mais sobre a Colônia Itajahy (atual Brusque), fundada em 1860. Até lá!

 

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