Hospital Azambuja recebe dois pacientes com surtos psicóticos por semana

Maioria dos pacientes são usuários do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) 2 de Brusque

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Quando recebe o paciente, o Azambuja precisa notificar a Secretaria de Saúde -
Crédito: Felipe Cavichioli/Especial

O caso de Cristiano Innocenti Filho, de 19 anos, que entrou em surto, foi detido três vezes em 24 horas e acabou internado em uma clínica psiquiátrica levantou a discussão sobre os serviços prestados em Brusque a pessoas que sofrem com problemas semelhantes aos do jovem. O Hospital Azambuja, por exemplo, recebe, no mínimo, dois pacientes com surtos psicóticos por semana.

De acordo com o diretor técnico do Azambuja, Antonio Carlos Pucci, geralmente os pacientes chegam ao local por meio do Corpo de Bombeiros, do Samu e da Polícia Militar. Para recebê-los, a casa de saúde tem uma ala específica com quatro leitos.

“Os pacientes são trazidos aqui quando estão agressivos e agitados. Aqui, eles são sedados e os encaminhamos para essa ala. Depois disso, informamos ao Caps. Como não temos psiquiatra, o nosso clínico geral atende e às vezes é auxiliado pelos profissionais do órgão. E também é o Caps que busca vaga em instituições especializadas”, afirma.

Os pacientes podem ficar internados no Azambuja por, no máximo, cinco dias. Durante esse período, eles retornam aos atendimentos e aos serviços do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) 2 ou são encaminhados diretamente para uma instituição de psiquiatria.

Segundo o coordenador do Caps 2, Bernardo Cardeal, a maioria das pessoas que chega ao Azambuja com surtos psicóticos é paciente do próprio Caps 2 e realiza atividades no local. Por isso, os profissionais do órgão também conseguem avaliar a necessidade de internação em instituições especializadas.

Quando a equipe percebe que o paciente precisa de tratamento por longo período, explica Cardeal, o Caps 2 encaminha o usuário ao Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina (IPQ), localizado em São José, na Grande Florianópolis.

“A gente tem um relacionamento muito bom com o IPQ. Eles têm consciência que temos um critério e avaliamos bem a situação antes de encaminhar o paciente. Só encaminhamos nossos casos muito graves. Por isso temos facilidade de acesso. Lá não tem muitas vagas, mas sempre conseguimos quando precisamos. Fazemos poucas internações”, afirma Cardeal.

O coordenador do Caps 2 explica que, embora o próprio médico do Azambuja possa encaminhar o paciente à instituição especializada, a Secretaria de Saúde precisa ser notificada sobre as internações. O motivo é que, após o período de internação, o paciente será inserido nas atividades do Caps 2.

“Mesmo que lá ele melhore, ele ainda precisa continuar o tratamento. Então ele vem até o Caps para avaliarmos a situação e colocarmos ele nas nossas atividades, tanto de grupo quanto individuais, porque essa pessoa precisa ser inserida na sociedade novamente”, explica.

Caps 2 atende 200 pacientes

O Caps 2 é um lugar de referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros, os quais a severidade e a persistência justifiquem a permanência do usuário. No local, são disponibilizadas atividades em grupo e individuais relacionadas desde a higiene pessoal até a artesanato. A instituição de Brusque tem, atualmente, 200 pacientes. No período da manhã atende 25 usuários e no período da tarde atende 20.

“Todos os nossos pacientes têm um projeto terapêutico singular. Cada um deles faz o seu tratamento dentro do Caps. Há pessoas que vêm para cá em regime intensivo, de segunda a quinta-feira. Outras pessoas vêm duas vezes por semana, outras que vêm uma vez por mês”, explica o coordenador.

Para Cardeal, Brusque tem necessidade de manter o serviço sempre em funcionamento porque há muita demanda. No local, o usuário tem acesso a todos os profissionais: um psiquiatra, um clínico geral, dois enfermeiros, dois psicólogos, dois assistentes sociais, um terapeuta ocupacional, um educador físico, dois técnicos em enfermagem e um instrutor de artesanato.

A grande maioria dos usuários atuais, de acordo com o coordenador, sofre de depressão e de ansiedade – ambos os sintomas somados à vulnerabilidade social. Ainda segundo ele, em casos extremos, a equipe do Caps 2 precisa se deslocar à residência do usuário para auxiliá-lo.

“Nós atendemos apenas casos graves e persistentes. Quando a pessoa está em uma situação realmente prejudicada. Quando ela se isola do mundo, tem a higiene prejudicada, quando está com sofrimento psicótico”, explica a enfermeira Maria de Lourdes Oliveira.

Em relação ao período em que os usuários permanecem realizando atividades no Caps 2, a variação é grande. Alguns precisam de apenas algumas semanas e outros chegam a frequentar o local durante seis meses.

Atendimentos a surtos

O coordenador do Caps 2 explica também que o local não recebe pessoas que estão com surtos psicóticos. Isso porque o local não disponibiliza de estrutura medicamentosa. Os profissionais atendem apenas quando o usuário está consciente.

Quando a pessoa entra em surto, a família deve acionar o Samu. Embora o Corpo de Bombeiros transporte os pacientes, o subcomandante da companhia de Brusque, Jackson Luíz Souza, diz que a equipe dos Bombeiros atende como emergência médica e conduz ao hospital. Porém, não dispõe de medicamentos para sedar o paciente e não pode transportá-lo a força.

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