Igreja Católica negocia venda da Fazenda do Padre Kleine

Atualmente, a área de cerca de 600 hectares é utilizada para a criação de gado

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A fazenda foi adquirida pela igreja com o intuito de utilizá-la para a criação de gado e plantação de arroz -
Crédito: Juliana Eichwald

Cinquenta anos após adquirir a fazenda Padre Kleine, no bairro Brilhante, em Itajaí, a Igreja Católica negocia a venda da área adquirida com o apoio de fiéis de Brusque. Segundo o padre Leandro Rech, ecônomo da Arquidiocese de Florianópolis, a igreja já abriu conversas e estudos de viabilidade.

Nos últimos dias, leitores entraram em contato com o jornal Município Dia a Dia para informar a venda. Além disso, moradores que residem próximo à fazenda também relatam os boatos – a reportagem esteve no local ontem à tarde e conversou com alguns deles. Entretanto, o padre Leandro afirma que ainda não há nada confirmado.

“Não houve venda. Estamos em uma negociação. Na hora que estiver pronto, com certeza o povo vai ficar sabendo”, afirma o padre.
Questionado sobre o motivo da transação, o ecônomo preferiu não explicar. Ele também não deu detalhes a respeito dos investidores interessados no terreno.

A casa onde residiu o padre Guilherme Kleine é atualmente morada do padre Nélio Roberto Schwanke / Foto: Juliana Eichwald

A casa onde residiu o padre Guilherme Kleine é atualmente morada do padre Nélio Roberto Schwanke / Foto: Juliana Eichwald

Criação de gado

Chamada atualmente de Fazenda Brilhante, a área tem cerca de 600 hectares, divididos entre as duas margens da rodovia Antônio Heil, próxima às estações da Eletrosul.

De acordo com o morador e administrador do espaço desde 1984, padre Nélio Roberto Schwanke, a fazenda foi adquirida pela igreja com o intuito de utilizá-la para a criação de gado e plantação de arroz.

Hoje, há apenas a criação. Padre Nélio explica que os animais são comercializados e o dinheiro é revertido para o Hospital Azambuja e também para o Seminário.

Padre Kleine

Filho de Anton Kleine e Anna Koesters, padre Guilherme Kleine nasceu em 28 de outubro de 1914. Segundo o historiador Paulo Kons, o sacerdote marcou a história de Brusque e da região. Ele foi um dos responsáveis pela construção do Morro do Rosário e do Seminário de Azambuja.

“Ele promoveu também a ampliação do Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux, duplicando sua capacidade. De sua iniciativa, também partiu a aquisição da fazenda, em Itajaí, garantindo a produção de alimentos para as obras de Azambuja. A organização das Festas de Azambuja também marcou sua gestão, pelos excelentes resultados auferidos a partir dos laços de amizade que vinculavam o padre à comunidade brusquense e regional”, afirma o historiador.

Vítima de infarto, padre Kleine morreu em 1972, aos 57 anos. Ainda de acordo com Kons, ele foi o primeiro padre e a terceira pessoa a ser sepultada no cemitério Parque da Saudade – espaço que também foi idealizado por ele.

1 Comentário

  1. Avatar
    Marite novembro 13, 2016

    Sou contra venda.se é que tenho direito opinar…não se pode mexer em algo bem material deixado por alguém cuja função é ajudar cuidar e dar condições melhores aos doentes de nossa cidade…pra que a venda?seria algo pra proveito de quem??a duplicação rodovia está estendida até aquele ponto?gostaria sim de saber respostas.

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