Mercado para administradores é bem avaliado em Brusque

Diferente do cenário nacional, coordenadores de curso dizem que não faltam oportunidades na região

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Estatísticas nacionais dão conta de poucos egressos do curso que trabalham na área, mas elas são contestadas por especialistas -
Crédito: Ruben Carlos Müller/Unifebe

Com base no cruzamento de dados do Censo do Ensino Superior e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, o economista e professor da USP, Hélio Zylberstajn, elaborou um estudo, com base em números de 2014, os mais recentes disponíveis, que mostra que, no setor de administração, que em 2014 correspondia a 30% dos concluintes do ensino superior, apenas 4,9% dos trabalhadores com graduação eram administradores de empresa.

Outros 9,4% eram assistentes ou auxiliares administrativos, função que nem sempre exige faculdade. O Município Dia a Dia consultou coordenadores de cursos superiores em Administração de Brusque, para avaliar se esta é uma estatística que se encaixa na nossa região. Para eles, os números não batem com a realidade local.

Para o professor Sidnei Gripa, coordenador do curso de Administração da Unifebe, o campo de atuação de quem se forma na área é muito mais amplo do que simplesmente atuar como administrador de empresa.

“Ele exerce atividades profissionais na área de gestão de recursos humanos, administração financeira, administração de logística, análise de sistemas, de marketing, de produção e outras profissões correlatas”, explica.

“O fato de falar que o egresso não trabalha na área porque não é administrador de empresa, acho que já tem um grande equívoco. As áreas são diversas dentro do campo da administração”, analisa Gripa.

Segundo ele, os dados do Conselho Federal de Administração, de 2015, são divergentes da pesquisa realizada na USP. Conforme o levantamento, há 7,07% dos profissionais formados em administração que estão exercendo presidência de empresa, sendo sócio ou empresário.

Porém, afirma, há uma grande fatia de formados em administração nas profissões correlatas, exercendo funções de gerência, supervisão, analista, chefia, e direção. “O leque de profissões não se limita ao administrador que assina pela empresa”.

Dados da primeira turma

A primeira turma de administradores formada pela Unifebe, há 30 anos, tem 46% de seus egressos como empresários, e outros 11% como administradores de empresa, segundo o coordenador do curso.

No caso da universidade, portanto, trata-se de uma média de empregabilidade que é bem avaliada. O professor reconhece não ser esta, porém, uma realidade nacional.

“Somos aqui privilegiados pelo nosso empreendedorismo, temos uma quantidade de empresas muito grande, isso dá espaço para o administrador trabalhar”, avalia Gripa. “Em regiões onde tem uma limitação de empresas, o profissional é obrigado a se inserir em outras áreas que não são as áreas correlatas do administrador”.

“Não fica sem emprego”

O professor Marcelo José Cavalcanti, coordenador do curso de Administração da Faculdade São Luiz, diz que há uma ampla gama de atuação para os egressos. “Administrador não fica sem emprego”, sentencia.

Ele foi, durante duas legislaturas, conselheiro do Conselho Regional de Administração (CRA), e explica que há uma diferença básica, no mercado, entre o bacharel em Administração e o administrador. O primeiro concluiu o curso, mas não registrou-se junto ao conselho, que é o caso do segundo.

O professor considera as estatísticas nacionais equivocadas também por este fato: os bacharéis, apesar de estarem no mercado, não entram no conjunto de estatísticas da profissão, somente os administradores.

“É muito difícil um egresso do curso não estar diretamente ocupando um cargo da área, é muito difícil”, analisa Cavalcanti.

Ele afirma, ainda, que a formação em administração de empresas possibilita ingresso em qualquer área, como hotelaria, hospitalar, ou mesmo abrir a própria empresa.

“Hoje em dia se mede o grau de civilidade de uma sociedade pela quantidade de empresas que ela produz. Enquanto tiver empresas, haverá o curso de administração. O administrador não fica sem emprego, eu acredito nisso”, conclui.

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