Mesmo medalhista em Mundial, carateca brusquense cega busca apoio para seguir competindo

Atleta faturou bronze em em seu primeiro Mundial de Para-Karate, mas precisou fazer rifa para custear participação

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A brusquense viajou para competir o mundial depois de uma rifa realizada pela família -
Crédito: Wendel Rudolfo

A luta é injusta quando as oportunidades não batem na porta. A carateca brusquense Débora Knihs sente na pele essa dificuldade. Mesmo trazendo uma medalha do Mundial de Para-Karate 2016 da Áustria, ela segue sem apoio de empresas e vivendo a expectativa de, talvez por isso, ter que encerrar sua carreira.

Débora é totalmente cega. Nasceu com glaucoma congênito, o que a permitiu ter uma baixa visão até os 12 anos, quando deixou de enxergar por completo. Desde então, utiliza do esporte como um meio de seguir interagindo com todos e provando, diariamente, sua capacidade.

Ela flertou com o atletismo e a natação, até que, em 2015, conheceu o caratê. “Não tinha a intenção de entrar no caratê, mas fui incentivado por um amigo que já treinava. De qualquer forma, eu não queria competir, mas um dia meu treinador me convenceu. Foi aí que ganhei minha primeira medalha de ouro e depois nunca mais parei”, completa.

Na Suíça, Débora Knihs conquistou bronze em Mundial Para-Karate / Foto: Divulgação

Na Suíça, Débora Knihs conquistou bronze em Mundial Para-Karate / Foto: Divulgação

Débora pratica o kata, uma sequência de movimentos de defesa e ataque realizados de maneira individual e sem luta com adversário em que se destaca quem realiza todas as técnicas com perfeição, sendo que um júri avalia. Das mais de 100 formas de realizar o kata, a brusquense é especialista no shotokan. No Mundial de Para-Karate, em outubro, ela foi medalha de bronze, perdendo apenas para a atleta que sagrou-se campeã.

Auxílio da família

Para seguir seu sonho, Débora precisou contar com seus familiares. Isso porque, para viajar e se manter na Áustria no período da competição, não teve apoio sequer da Confederação Brasileira de Karatê (CBK), e precisou pagar do próprio bolso.

Apesar de morar em Campinas há oito anos, foi em Brusque que a carateca conseguiu o que precisava. Seus parentes daqui não pensaram duas vezes e realizaram uma ação entre amigos. A rifa deu resultado e fez com que Débora fosse até a Europa para buscar a tão sonhada medalha.

No entanto, apesar de louvável, essa prática não sustentará mais a atleta por muito tempo. Agora que é uma medalhista mundial, Débora terá de participar cada vez mais de eventos nacionais e internacionais. Já no início do próximo ano ela participa de um evento que está para ser sediado entre Alemanha ou Las Vegas. “São muitos gastos que tenho que manter. Sem apoiadores fixos, vou ter que abandonar o esporte”, explica.

A importância que Débora siga com o caratê é grande não só para a satisfação pessoal da atleta, mas para o Brasil. Com a abertura da modalidade para a Olimpíadas de 2020, há possibilidade de a arte marcial ser inclusa também na Paralimpíada de Tóquio, e nesse caso a carateca de 31 anos teria oportunidade de brigar por medalhas.

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