¡Olé!

flamenco-dance-1521708Nesses dois anos de estudo de dança flamenca muitas vezes me peguei refletindo e analisando todo o conjunto de saberes, interpretações, ritmos, cores e personalidades que envolvem essa arte tão antiga. E como tudo que experimentamos e gostamos temos vontade de dividir com as pessoas, estou ensaiando um texto sobre o assunto há meses. Aí dou de cara com um conto da Clarice, chamado “Espanha”.  Claro, bate aquele impulso de não escrever mais nada, nunca mais.

Mas Clarice não dançava, então posso redigir algo do ponto de vista da cena (o que alguém já deve ter feito lindamente, e nem procurei, pra não desistir de vez).

Mais do que dança, flamenco é arte da escuta, de apurar os ouvidos para as batidas de cada palo (assim se chamam os ritmos) e deixar o corpo ir. Decodificar esses símbolos sonoros e dançar com eles, e não sobre eles, é algo que ainda me deixa tonta (eu tão acostumadinha a ensaiar, marcar, decorar).

Mais do que dança, flamenco é História, nos conta sobre antepassados ciganos que migraram de país a país tomando um instrumento aqui, um passo ali, um trejeito acolá. Até chegarem e se fortalecerem no sul da Espanha, onde ocorrem diversos eventos populares como a “Feria de Abril” em que todos desfilam exuberantes trajes, mulheres passam com seus abanicos, há muita música, dança, comida e bebida.

Mais do que dança, flamenco é atitude. Cabeça erguida, passos determinados, expressão, força e muita beleza. Quem dança não pode ter dúvidas, não pode intimidar-se, achar que não está bom o suficiente. O flamenco resgata valores femininos tão importantes, que chega a ser terapêutico. Ao sapatear expulsamos pequenos demônios cotidianos, inseguranças e rótulos sociais.

Mais do que tudo, flamenco é democrático. São mulheres de diferentes formações, idades, corpos. E todo mundo pode. Todo mundo encontra seu jeito de dançar, de se relacionar com a arte, com a História, com a música e consigo mesma.

Quem quiser assistir minha turma, nos apresentamos em Florianópolis dia 1º de dezembro, às 20:30h, no TAC.

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Lieza Neves – produtora cultural e escritora

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