Para uma educação emancipatótia

Emancipar é dar condições de autonomia a uma pessoa ou a uma entidade, como um município, por exemplo. A emancipação confere ao emancipado que ele tem condições de caminhar com as próprias pernas, que não precisa ser tutelado por ninguém. Todo processo educativo, por definição, deve ser emancipatório. Educamos uma criança para que ela cresça, amadureça e se torne independente, que possa alçar voo com suas próprias asas, definir seus rumos. Quanto mais cedo alguém se torna capaz de fazer isso com responsabilidade, mais eficaz terá sido seu processo educativo.
É evidente que, para atingir tal objetivo, o indivíduo não pode ficar sendo bajulado, tendo seus desejos egoístas sendo satisfeitos por outrem. Educar é ensinar a assumir responsabilidades, é preparar para os desafios, é aparelhar o indivíduo para que possa resolver os problemas que a vida lhe trouxer. O caso mais exagerado desse tipo de educação se dava na Esparta antiga. Lá, a educação militarizada tirava o menino do convívio da sua família aos sete anos e o entregava a condições duríssimas de sobrevivência, para que se tornasse um bom soldado. O rigor excessivo com que os pequenos espartanos eram tratados choca nossas consciências acostumadas ao extremo oposto.
Nossa educação também já foi bem mais rigorosa. Há algumas décadas, a maioria das crianças que frequentava a escola tinha também um contraturno de trabalho. Em ambos, tinha que dar conta de muitas exigências, pois os métodos tradicionais de educação não aliviavam para ninguém, seja nos conteúdos a serem aprendidos, seja na disciplina e nas exigências a serem cumpridas. Quem passou por tudo isso e está lendo essas linhas deve concordar que aquele nível de exigência foi fundamental na construção tanto de seu caráter quanto de seu conhecimento. O ensino de língua portuguesa, matemática, história e todo o resto era realmente muito exigente. Se retrocedermos mais no tempo, encontraremos o latim como disciplina obrigatória. Quem não frequentava se desdobrava no trabalho. Não à toa as pessoas amadureciam mais cedo, assumiam responsabilidades, tocavam a vida.
Nos dias atuais, vivemos uma situação oposta. Crianças e adolescentes não podem mais trabalhar, o que seria ótimo caso o tempo fosse utilizado na sua formação intelectual. Mas as exigências da formação intelectual caíram drasticamente, e mesmo assim o rendimento escolar, os resultados efetivos de aprendizagem são cada vez mais desanimadores. Na vida moral e social, o amadurecimento está cada vez mais tardio. Os pais se desdobram em dar o máximo de bens e facilidades aos filhos, mas não parece que isso esteja sendo revertido em maior desenvolvimento humano, emancipação, responsabilidade.
Precisamos rever nossas metas e métodos, tanto na educação familiar quanto na escolar. Não é diminuindo, mas intensificando as exigências que conseguiremos dar a nossos filhos e alunos condições de amadurecimento intelectual e moral para uma vida responsável e produtiva.

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