Passado, presente e futuro

O filme “De Volta para o Futuro” é um dos mais estimulantes que já vi. Além de engraçado, com roteiro e atuações excelentes, tem lições valiosas. Revi-o na TV no final de semana e fiquei impressionado em me dar conta de que já faz quase trinta anos que o vi pela primeira vez. Lembro-me de ter ficado muito impressionado com o personagem George McFly (Crispin Glover), pai de Marty McFly (Michael J. Fox), o menino que viaja no tempo. Antes da viagem de Marty ao passado, George era um cara fracassado, tímido e desajeitado, o que se refletia na família desorganizada. Quando Marty retorna, surpreende-se ao ver seu pai totalmente diferente, seguro de si, bem definido na vida e um escritor de sucesso. Sua mãe Lorrayne (Lea Thompson) está feliz ao lado do pai, e ambos estão cheios de alegria e disposição. Os irmãos, antes perdidos na vida, estão alinhados e com carreiras encaminhadas. O grandalhão Biff (Thomas F. Wilson), que aterrorizava George no passado, agora é empregado da família, e obedece cegamente ao “novo” George.
Mas o que aconteceu no passado visitado por Marty que repercutiu tanto no presente? O ponto decisivo é o modo como George e sua esposa se conheceram. George foi atropelado pelo pai dela e, por esse acidente, o relacionamento nasceu. Na história revisitada, Marty, o filho intruso que invade o passado, impede o tal acidente, e precisa se desdobrar para fazer com que George e sua mãe fiquem juntos. Como George é um legítimo “banana”, a situação não é nada fácil. Quando, porém, o grandalhão Biff ameaça atacar Lorrayne, George reúne toda a coragem que poderia e o esmurra, levando-o a nocaute. O fato não só garante que Marty e seus irmãos “sobrevivam” para o futuro, mas muda o curso da vida de George.
O lapso de trinta anos entre o passado e o futuro (presente) mudou totalmente a vida de todos. E tudo isso se deveu a uma mudança de atitude. Ao enfrentar o idiota que o fazia de bobo, George venceu seus medos, sua timidez, seu complexo de ridículo. Passou a viver mais seguro de si, como se exigisse o que devesse ter por direito. Enfrentado e derrotado, Biff mostrou que era apenas um grandalhão sem miolos.
George McFly nos ensina o quanto nossos hábitos determinam nossa vida. As atitudes que tomamos ou deixamos de tomar hoje criam um padrão que repetimos e reforçamos, seja para nos fazer evoluir ou para nos deixar estagnados. Tomei uma série de decisões nos últimos trinta anos que me fizeram ser muito melhor do que teria sido sem elas. Por outro lado, ressinto por coisas que não fiz ou por oportunidades que não apareceram.
Digo isso com enorme preocupação pelos tempos atuais. Vejo o desleixo, a dispersão e a falta de responsabilidade permeando nosso tempo, na vida estudantil, profissional, familiar. Essa falta de foco e de energia pode comprometer seriamente o futuro, e dificilmente haverá uma máquina do tempo para consertá-lo. O tempo para enfrentar os “Biffs” da vida é hoje. Amanhã estaremos dominados por eles. Enquanto muitos lamentam o passado, outros tantos desperdiçam o presente e comprometem o futuro. O sábio é quem entende que, para além de qualquer destino, são nossas atitudes e ideias que moldam, em grande monta, a nossa vida.

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