Prefeito Bóca Cunha comenta eleições, transição de governo com o prefeito eleito e seu futuro político

"Parece que o Bóca Cunha estava na prefeitura os quatro anos", afirma Bóca

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Bóca Cunha diz que foi responsabilizado por problemas dos quatro anos de mandato -
Crédito: Marcelo Reis

O prefeito José Luiz Cunha, o Bóca (PP), já se prepara para entregar o comando do município de Brusque ao sucessor, Jonas Paegle (PSB), eleito há uma semana.

“Já conversei com Dr. Jonas, me coloquei à disposição aqui na prefeitura, pra depois da Fenarreco começar a fazer a transição”, afirma Bóca, o qual informou que irá indicar três ou quatro pessoas para comandar o processo.

“Queremos uma transição tranquila, limpa, bem transparente, não quero comprometer a futura administração”.

Nesta semana, já devem iniciar as demissões de cargos comissionados, também necessárias para equilibrar as finanças.

Nessa entrevista, Bóca detalha as etapas da transição de governo, que implicarão em corte de custos e mudança na rotina da prefeitura, e também avalia o resultado das eleições e dá pistas sobre seu futuro político.


Medidas de contenção

O prefeito anunciou nesta semana medidas de contenção de custos, como a troca do horário de atendimento, reduzido apenas ao turno matutino, e também o contingenciamento de R$ 3,5 milhões em despesas.

O motivo é a necessidade de fechar o ano com as contas em dia, obrigatório por lei. Bóca diz que a administração que o antecedeu, de Roberto Prudêncio Neto (PSD), comprometeu cerca de 75% do orçamento no primeiro semestre, e que, por isso, o segundo semestre está sendo “muito difícil”.

“Vamos ter que fazer demissões, cortes, todas as despesas que não são urgentes, com exceção da área da saúde”, diz Bóca. “Todos sabem a situação que vive o país, as receitas estão caindo, e as despesas aumentaram”.

Apesar disso, Bóca Cunha diz que não se trata de irresponsabilidade do ex-prefeito interino ter comprometido a maior fatia do orçamento nos seis primeiros meses do ano.

“Talvez o prefeito anterior não pensava que iria deixar a prefeitura em junho, ele deve ter feito o planejamento dele neste sentido. O prefeito anterior fez o orçamento com base em obras que ele estava fazendo, e não previu tamanha diminuição na receita”.


Pagamento de fornecedores

Segundo o prefeito, a economia que está sendo feita é necessária, em parte, para pagar todos os valores em atraso com os fornecedores da prefeitura. Conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), não é permitido deixar essas contas para o próximo prefeito pagar, a menos que seja deixada, também, quantia disponível em caixa.

“Por isso que estamos fazendo meio expediente, para fazer uma economia grande, e cumprir com o débito com os fornecedores”, afirma Bóca.
Ele justifica a escolha do turno matutino para evitar custo excessivo com os aparelhos de ar condicionado, que permanecerão ligados mais tempo, agora no verão.


Ações e obras

Agora que acabou o período eleitoral, a prefeitura já pode assinar novamente ordens de serviço para início de obras. Contudo, a população não deve esperar muitas delas, devido à situação financeira do município.

Segundo Bóca, há “duas ou três” obras que podem ser iniciadas antes do fim de sua gestão, sendo a de maior destaque o prolongamento da avenida Beira Rio, no sentido Santa Terezinha, por meio de recursos do Badesc.

“Temos muitas obras que tem recursos na Caixa Econômica Federal, mas não tem dinheiro para contrapartida, não foi feito um planejamento”, avalia o prefeito.

Ele explica que, para essas obras, a maior parte de pavimentação de vias, a prefeitura precisa bancar de 5% a 10% do valor, com contrapartida em recursos próprios, mas não há dinheiro em caixa para isso.

São, segundo Bóca, R$ 30 milhões represados na Caixa, para os quais não há previsão de utilização. Cita como exemplo a obra de duplicação do trecho municipal da rodovia Antônio Heil, entre o Bandeirante e a Aradefe.

Ele afirma que há recursos disponíveis na Caixa, que eram para ter sido usados em 2012. Como não o foram, houve aditivos e reajuste nos contratos para execução da obra, o que, na atualidade, deixa uma conta de mais de R$ 5 milhões para a prefeitura bancar.

Hoje, esse valor representa quase 40% do custo total estimado. Segundo Bóca, o prefeito eleito, Jonas Paegle, terá que renegociar essa contrapartida, ou a obra não será viabilizada. “Nem eu nem o futuro prefeito tem caixa para tocar essa obra”.


Avaliação da eleição

Questionado sobre o resultado da eleição, no qual ficou em terceiro lugar, com pouco mais de 10 mil votos, Bóca Cunha diz que, na sua avaliação, a população o responsabilizou por problemas de todo o mandato.

“Eu digo o seguinte, cada povo escolhe o seu governo. Aqui em Brusque, para a população, parece que o Bóca Cunha estava na prefeitura os quatro anos. Eu comecei a assumir a culpa e a responsabilidade pelos quatro anos”, discursa Bóca.

“Mas fiquei só 90 dias, e nesses 90 dias ainda tive que me defender de liminares junto ao Tribunal de Justiça. O que parece que a população entendeu é que todos os problemas da prefeitura, dos quatro anos, recaíram em cima da administração do Bóca Cunha”.


Futuro político

Bóca evita falar se irá concorrer ou não na próxima eleição, em 2018. Afirma que, após o mandato, irá se retirar temporariamente da cena política.

“Vou cuidar dos meus negócios, não é hora de pensar em ser candidato ou não ser”, avalia. “Vai chegar o momento das eleições em que os políticos vão definir sua vida. Da minha parte, eu não pretendo [concorrer]”.

O prefeito também afirma que sua campanha foi feita de forma “limpa”.

“Não tem uma denúncia de que o Bóca Cunha usou máquina, areia, cimento, brita, nada. Não tenho uma diária, não tirei uma nota de almoço, e fui várias vezes a Florianópolis defender os interesses do município. Infelizmente, não obtive o resultado nas urnas”.


Acordos políticos e o PP

Ele também comentou a respeito do acordo com o DEM, desfeito no último dia das convenções partidárias. Estava acertado para que Jones Bosio (DEM), segundo colocado na eleição, fosse o seu vice. Bóca não dá muitos detalhes, mas avalia que não haveria forma do acordo ter se sustentado.

“Estava tudo bem encaminhado, mas política é isso aí, quando chegou nos últimos dois dias, não houve como fechar. Nem por isso somos inimigos, na política ou em qualquer outro negócio temos que brigar pelas ideias, não com as pessoas”.

Bóca também falou sobre as divergências internas no seu partido, o PP, levantadas pelo vereador Jean Pirola (PP), em sessão da Câmara de Vereadores. Na oportunidade, Pirola falou que houve gente que “jogou contra”, dentro do PP, referindo-se à campanha da eleição proporcional.

Para o prefeito, contudo, esse tipo de divergência é normal, e ele não se sentiu afetado na eleição majoritária.

1 Comentário

  1. Avatar
    Luka outubro 10, 2016

    No mínimo CONTROVERSO:

    Primeiro chuta pro GOL:

    “O motivo é a necessidade de fechar o ano com as contas em dia, obrigatório por lei. Bóca diz que a administração que o antecedeu, de Roberto Prudêncio Neto (PSD), comprometeu cerca de 75% do orçamento no primeiro semestre, e que, por isso, o segundo semestre está sendo “muito difícil”.” (sic)

    Depois, passa panos quentes:

    “Talvez o prefeito anterior não pensava que iria deixar a prefeitura em junho, ele deve ter feito o planejamento dele neste sentido. O prefeito anterior fez o orçamento com base em obras que ele estava fazendo, e não previu tamanha diminuição na receita”. (sic)

    E assim segue-se um roteiro que já passou da época de ser reinventado.

    Raymundo Faoro como jurista deveria ser um profeta:

    Os Donos do Poder!

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