Projeto de lei na Câmara dos Deputados visa acabar com cobrança por orçamento

Empresas de Brusque não costumam cobrar por estimativa na maioria dos casos

conserto
Reparos em notebooks e outros equipamentos são alvo de projeto de lei -
Crédito: Divulgação

Cobrar ou não pelo orçamento varia em cada empresa em Brusque. Em contrapartida, proposta do deputado federal Rômulo Gouveia (PSD-PB) quer acabar com a prática no Brasil. A matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Prestadoras de serviços consultadas pela reportagem relataram que não costumam cobrar pelo orçamento, exceto em casos específicos. De modo geral, a leitura do empresariado é que a cobrança afugenta o cliente.

Juliano Graczcki, sócio-proprietário da Refrigeração Graczcki, diz que é raro cobrar pelo orçamento de consertos. O cliente interessado entra em contato e a visita à casa dele é feita entre um atendimento e outro.

Desta forma, não existe o gasto extra de se deslocar até uma região afastada apenas para um serviço.” O gasto fica diluído”, afirma Graczcki. A exceção é quando o cliente pede urgência e mora longe.

Quando é necessário desmontar o aparelho para poder fazer, também é cobrada a mão de obra, entretanto, é raro de acontecer, de acordo com Graczcki.

Outro setor que convive diariamente com pedidos de orçamento é o de consertos de computadores e notebooks. Paulo César, técnico em manutenção da Brusweb Informática, diz que a loja não cobra orçamento do cliente se não houver desistência.

Segundo ele, quando o orçamento compensa e, mesmo assim, o cliente não quer fazê-lo, há uma taxa de R$ 30 pelos serviços do técnico. O técnico diz que antigamente não era cobrado, mas desmontar demanda tempo e depois perder tudo não é vantajoso.

Ainda mais comum do que a lojas de computadores, as oficinas mecânicas também têm de fazer vários orçamentos diariamente. Gerson dos Santos, sócio-proprietário da Auto Mecânica Kohler, afirma que em 90% dos casos a avaliação é feita gratuitamente.

“O orçamento completo não tem custo nenhum, desde que não precise desmontar, aí vai gerar mão de obra”, afirma Santos. Como os mecânicos já são experientes, na grande maioria dos casos não é necessário desmontar o carro.

Os clientes costumam pedir uma estimativa antes do serviço, e depois que autorizam desmontar alguma peça não voltam atrás. Santos diz que abrir apenas para orçar e fechar é um custo a mais para o cliente. Por isso, raramente há desistência.

O projeto

O projeto de lei 2123/2015 prevê que nenhum estabelecimento poderá cobrar por orçamento feito na casa do cliente ou na empresa. O texto proíbe taxas por mão de obra ou deslocamento.

A matéria foi aprovada na CCJ e segue para o plenário do Senado, onde precisará ser aprovada pela maioria. Depois, vai para a sanção presidencial.

1 Comentário

  1. Avatar
    julio dezembro 01, 2016

    Orçamento é e deve ser cobrado.
    Muitas das vezes, quem orça um serviço não imagina a disponibilidade do prestador.
    Tem serviços que não podem ser avaliado superficialmente e gasta horas e recursos…
    E muitas das vezes o serviço não é concluído ou retirado.
    Portanto dependendo da situação é obrigatório o sinal e a cobrança por orçamento.
    Quando se vai a um médico ou um advogado a consulta inevitavelmente é paga, mesmo que tal profissional tenha ponto de atendimento.
    Um orçamento a domicílio tem custos e desprendimento de recursos de quem executa.
    Ninguém estuda ou se dedica pra trabalhar de graça, e esse preço é por horas.
    O nobre deputado autor do projeto não trabalha de graça.
    Isso deve ser decidido pelo prestador desde-que o mesmo avise ao cliente antes.
    Mudar essa regra é mudar a lógica do comercio.
    Cobrar ou não por orçamento é uma opção do prestador de serviço, e cabe a ele flexibilizar ou não essa regra, colocar todos no mesmo patamar abre brechas a especulação e a concorrência desleal.
    Esse projeto me parece inviável em certos casos.

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